terça-feira, 9 de setembro de 2014

Aprendi a respeitar o próximo, diz gremista acusada de racismo


A gremista Patrícia Moreira, 23, voltou a se dizer arrependida por ter xingado o goleiro Aranha, do Santos, de “macaco” e disse que aprendeu uma “lição” com o episódio.

“Aprendi a respeitar o próximo, não ser ‘maria vai com as outras’ e que a minha família é muito importante”, disse a torcedora nesta terça (9), durante o programa “Encontro com Fátima Bernardes”, da Rede Globo, que tratou do tema “preconceito”.

No programa, Patrícia reforçou a vontade de se reencontrar com Aranha para pedir desculpas -o goleiro já disse que “não vê motivo” para o encontro.

“Eu gostaria de mostrar para ele [Aranha] quem eu realmente sou. Não a torcedora que ele viu. Não sou racista. Tenho vários amigos negros”, disse.

A gremista disse ainda discordar da pena imposta ao Grêmio pelos xingamentos da torcida -a expulsão da Copa do Brasil-, mas admitiu que se soubesse antes da punição que o time sofreria poderia ter se comportado de modo diferente.

“Não achei legal [a punição] (…) se eu soubesse que prejudicaria o Grêmio, pensaria melhor [antes de xingar Aranha]“, disse.

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul segue com a investigação sobre o caso. Pelo menos cinco torcedores gremistas, incluindo Patrícia, devem ser indiciados por injúria racial.

De acordo com seu advogado, Alexandre Rossato, caso o indiciamento seja confirmado, ele tentará mostrar em sua defesa como é a Patrícia: “Ela não é uma pessoa racista, mas naquele momento foi tomada pela emoção”, explica.

O CASO

A repercussão sobre o caso de racismo contra Aranha começou após a divulgação de imagens cedidas pela ESPN Brasil, que transmitia a partida entre Grêmio e Santos.

No vídeo, a torcedora gremista Patrícia Moreira aparece chamando o jogador de “macaco” durante o jogo. Ela foi afastada de seu trabalho de auxiliar de saúde bucal, na Brigada Militar, na sexta-feira (29).

À polícia Aranha relatou ao menos quatro pessoas envolvidas nos xingamentos. Com base em seu depoimento, o Ministério Público abrirá um processo por injúria racial contra os participantes.

Depois do caso, Patrícia foi xingada e ameaçada nas redes sociais, o que fez com que ela desativasse sua conta. Patrícia também foi ameaçada nas ruas e perdeu seu emprego, de auxiliar odontológica.

Folha Press

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