segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Redução de bancos públicos inviabilizaria infraestrutura no país, diz Dilma


A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, afirmou nesta segunda-feira (22) que a redução da participação dos bancos públicos inviabilizaria a realização de obras de infraestrutura no país. Dilma também afirmou que o Brasil está na defensiva na área econômica e depende de uma melhora na economia dos Estados Unidos para voltar a crescer.

As declarações foram dadas em uma entrevista gravada no domingo (21) no Palácio da Alvorada e transmitida hoje no programa “Bom Dia Brasil”, da TV Globo. A entrevista foi marcada por pequenas divergências com os jornalistas Chico Pinheiro, Mírian Leitão e Ana Paula Araújo.

A menção de Dilma sobre os bancos é uma crítica feita à sua adversária, a candidata à Presidência pelo PSB, Marina Silva, que defende a independência do Banco Central.

“Tudo o que eu falo está no programa da candidata. Ela diz que vai tornar o Banco Central independente. Ora, isso é colocar um quarto poder no país. [] Estou alertando. Reduzir o papel dos bancos públicos o que significa? Quero saber como vão financiar a infraestrutura no Brasil. Se for comparar com juros de mercado ninguém faria obras de infraestrutura no Brasil. Isso não é medo, é real. Não sai rodovia, não sai metrô, não sai VLT”, afirmou Dilma.

O programa petista eleitoral no rádio e na televisão tem explorado o fato, dizendo que a proposta de Marina daria mais poder aos bancos privados, que poderiam inclusive, tomar decisões sobre empregos e salários da população.

Dilma foi questionada pelos entrevistadores se a estratégia de fazer uma “campanha do medo” era legítima ao invés de levar propostas aos eleitores. A candidata disse então, que está fazendo apenas um alerta.

“Como reduz o financiamento? Reduz quanto? Não pode dizer assim: ‘vou reduzir’. E eu que estou colocando medo? Ela [Marina Silva] tem um alinhamento claro. Ela tem uma posição favorável aos bancos. Eu não tenho. Acho que os bancos importantes são importantíssimos, mas eu sei que o país precisa de infraestrutura e as pessoas precisam de casa própria”, disse.

Durante a entrevista, Dilma se irritou ao ser confrontada com dados sobre a taxa de inflação. A jornalista Mírian Leitão afirmou que Chile e Reino Unido já haviam implementado uma política de Banco Central independente e os resultados foram positivos.

Em resposta, Dilma afirmou que, no Brasil, a instituição tem o papel exclusivo de controlar a inflação. “O seu Banco Central não tem conseguido [controlar a inflação]“, rebateu a jornalista. E Dilma respondeu: “nem eles”, em referência aos Estados Unidos.

O clima da entrevista ficou um pouco mais tenso quando Mírian Leitão afirmou que os americanos têm uma inflação de menos de 2%. Dilma então respondeu que a “deflação” americana também é preocupante.

Novamente, Mírian Leitão rebateu e disse que não o cenário americano não é de deflação e sim, de inflação. Dilma ponderou: “Ninguém está conseguindo cumprir todas as metas do ponto. Lá também oscila”, disse.

Questionada sobre se estava satisfeita com o crescimento econômico brasileiro, Dilma apenas disse: “não”. A candidata afirmou que o país está na defensiva na área econômica para enfrentar a crise internacional.

“O Brasil está na defensiva para proteger os empregos, salários e investimentos. Protegemos isso porque apostamos em uma retomada, em que vamos mudar de defensiva para ofensiva”, disse.

No entanto, para que isso aconteça, Dilma afirmou que o país depende de um crescimento dos Estados Unidos. “A gente tem de ver como que evolui a crise. [...] Os Estados Unidos evoluindo bem eu acho que o Brasil pode entrar numa outra fase, que precise de menos estímulos. Pode ficar entregue à dinâmica natural da economia e pode, perfeitamente, passar por uma retomada”, disse.

Dilma destacou que há ainda uma outra crise mais grave no mundo, que é a do desemprego. Mais uma vez, a presidente discordou de dados apresentados por Mírian Leitão. A jornalista afirmou que a taxa no país de desempregados é de 13,7%, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).

Dilma insistiu que a taxa média de desemprego no Brasil alcançou, durante o seu governo, 4,9%. “Nós temos na PME (pesquisa mensal de emprego) a menor taxa de desemprego de toda a série histórica, de 4,9%”, disse.

Ao final da entrevista, a jornalista Ana Paula Araújo esclareceu que os dados apresentados por Mírian Leitão estavam corretos.

PETROBRAS

Dilma voltou a defender a indicação de Paulo Roberto Costa para a diretoria de Abastecimento da Petrobras, durante o governo do ex-presidente Lula. Dilma, que na época, era presidente do Conselho de Administração da estatal, assumiu a responsabilidade pela indicação.

“O que eu escolhi, é responsabilidade minha. Na Petrobras não foi indicação política. O senhor Paulo Roberto tinha credenciais para ser escolhido diretor. A descoberta do que ele fez é uma surpresa para nós porque eu, como quase todos os brasileiros, acredito que os funcionários da Petrobras, de carreira, são pessoas testadas, investigadas”, disse.

Paulo Roberto foi indicado na época pelo PP. Ele está preso em Curitiba (PR), por envolvimento com um esquema que pode ter lavado R$ 10 bilhões. Dilma afirmou que se soubesse dos atos de corrupção do ex-diretor, o teria demitido imediatamente.

MUDANÇA DE AMBIENTE

A entrevista ao “Bom Dia Brasil” foi gravada no domingo (21) em um local descaracterizado no Palácio da Alvorada, uma sala branca com cortinas da mesma cor. A biblioteca da residência oficial, onde Dilma gravou a maioria das sabatinas e entrevistas concedidas durante a campanha eleitoral, foi abandonada depois que o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), José Dias Toffoli, criticou o uso do local.

Em entrevista à revista “Época”, o ministro disse que a utilização da biblioteca por Dilma é uma “vantagem indevida”. Neste domingo (21), a candidata ironizou a avaliação e disse que seria uma “sem-teto” se não pudesse usar a residência oficial da Presidência para dar entrevistas.

“Eu só quero lembrar que todos meus antecessores usaram o palácio, até porque caso contrário eu serei uma sem-teto, não terei onde dar entrevista. Não tenho casa, não pode ser no Alvorada, serei sem-teto e irei para rua dar entrevista. Não tenho outro local”, disse Dilma em uma entrevista coletiva realizada na tarde de domingo (21).

Ela afirmou ainda que se o problema fosse a biblioteca, então não mostraria mais a biblioteca.

Folha Press

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