quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Governo diz que cenas de beijo gay em programas de televisão têm mesma classificação que beijo hétero




O Ministério da Justiça publicou uma nota em sua página oficial no Facebook na manhã desta quinta-feira (11) explicando que — para a classificação indicativa de programas de televisão, filmes e outras obras culturais — não há diferenciação entre cenas que mostrem beijos de pessoas do mesmo sexo e de sexos diferentes.

“O beijo é Livre (ainda bem, né?). Para a Classificação Indicativa do MJ, é indiferente se o beijo é entre pessoas do mesmo sexo ou não. A nudez não erótica também pode ser considerada Livre”, diz o post no perfil da organização governamental.

A página do ministério explica ainda que a indicação muda quando o conteúdo é erotizado, mas que mesmo assim não faz distinção entre as orientações sexuais. “Conteúdos mais erotizados – nudez velada, insinuação sexual e carícias sexuais, como preliminares ao ato sexual – podem ser ‘não recomendado para menores de 12 anos’. Nesse caso, também não faz diferença para a #ClassificaçãoIndicativa se as cenas são protagonizadas por pessoas do mesmo sexo.”

No post, a página do governo ainda mostra uma cena romântica entre dois homens, do filme “O Segredo de Brokeback Mountain”.

A publicação foi bastante comentada desde sua publicação, com a maioria dos internautas se colocando contra o critério exposto pelo Ministério da Justiça. “Acho isso ridículo e sinal de final dos tempos”, diz o usuário Rogério Reis. “Livro da Justiça de Deus fala ao contrário – fico com a Bíblia”, opina Pedro Eneias. “O ministério da justiça em vez de se preocupar com a impunidade, criminalidade, corrupção e tantas coisas mais importantes está preocupado em promover a imoralidade e depravação”, diz Junior Caetano.

O internauta Valmir Sarmento diz que carícias entre homens e mulheres não estão “no mesmo patamar” que carícias entre pessoas do mesmo sexo. “O MJ não pode simplesmente forçar, violentar e arrombar a consciência, os costumes e padrões de milhares de famílias e lares brasileiros forçando-os a colocar as carícias entre dois homens, ou duas mulheres, no mesmo patamar das carícias entre homem e mulher. O Estado é servo da sociedade e não o contrário.”

Em contrapartida, vários internautas parabenizaram o Ministério da Justiça pela publicação, colocando-se a favor da igualdade de gêneros. “Muito civilizado. Parabéns”, diz Israel De Castro. “Não vejo problema nenhum. Se os pais não querem que seus filhos vejam, controlem mais o que eles têm acesso”, analisa Thamiris Farias. “Não é favor. Não é privilégio. Não é mais do que obrigação!”, pontua Antonio Junior.

O internauta LP Gonçalves critica o posicionamento dos usuários que reclamaram do post do Ministério. “Extremamente correta a postura, poderia aproveitar e abrir um processo criminal para todos que expressarem sua homofobia logo abaixo. Uma coisa é falar, “eu não assistiria”, outra coisa é falar ‘é um absurdo, fim dos tempos, e blá, blá, blá.’”

UOL

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