segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Entenda o ENEM


A população, os estudantes e, até mesmo, muitas escolas tradicionais ainda não entenderam e nem muito menos se adaptaram ao estilo ENEM, por isso ainda nos deparamos com tantas dúvidas em relação ao processo.

O ENEM segue modernos processos avaliativos da Europa, depois usados também pelos EUA, e agora no Brasil. Posso afirmar que esse método é muito bem intencionado. Todavia, o nosso governo cometeu, na minha singela opinião, vários equívocos no nosso ENEM, como:

1) 45 questões na prova de Matemática (25% da prova);
2) 40 questões de Português, quando as demais matérias possuem entre 5 a 15 questões, no máximo (Física, Química, Biologia, História, Geografia, Inglês/Espanhol, Sociologia, Filosofia, Artes e Educação Física);
3) Não ter provas discursivas (apenas a redação);
4) Número exagerado de questões (180), para apenas 2 dias do exame;
5) Excesso de conteúdo em todas as matérias, para pouquíssimas questões cobradas nas provas;
6) Nível bem abaixo do cobrado pelos antigos vestibulares das Federais.

Listei aqui as principais discórdias, pois há muitas outras. Assim, considero que os maiores erros são técnicos.

Por que priorizar matemática para um aluno que deseja uma área de humanas ou biomédica? Por que apenas duas matérias representam 50% do exame, em detrimento de outras 10 matérias? Por que mudar de 60 questões por dia (com 4 alternativas) para 90 (com 5 alternativas) e no mesmo período de tempo? É um processo avaliativo de vários conhecimentos ou uma prova contra o tempo?

Desejo expressar ainda que concordo que Matemática e Português sejam duas matérias essenciais na vida escolar. Todavia, considero um exagero no número de questões (50% da prova).

É, amigos, são questionamentos que nós, que vivenciamos a educação, não conseguimos entender.

Em contrapartida, o ENEM possui algo fantástico e avançado, que poucos até do ramo conhecem e entendem, que é a utilização da TRI (Teoria de Resposta ao Item) no seu processo de correção. A TRI oferece argumento (nota) a cada questão do ENEM, diferente da UFRN que tinha argumento por prova. Assim, dois alunos que acertaram a mesma quantidade de questões em uma prova, desde que não sejam as mesmas questões, jamais terão o mesmo argumento. Outro fator importante da TRI é que a prova é dividida em questões fáceis, medianas e difíceis, além disso, a TRI não dará um argumento alto para os famosos “chutes”. Dessa forma, o aluno que acertou uma questão difícil e errou uma fácil terá um argumento bem mais baixo do que o outro que acertou a fácil e errou a difícil, é o método “antichute”! Assim, “chutar” as últimas questões da prova, por falta de tempo, será FATAL para o seu resultado, em virtude da existência de questões fáceis entre elas (logo, essas fáceis que o aluno errará, por falta de tempo, prejudicará o seu argumento naquelas medianas e difíceis que acertou).

Portanto, resolver as 90 questões por dia dentro do tempo é, sem dúvidas, o maior problema enfrentado pelo aluno no ENEM. Quando o aluno não está treinado para isso, é muito comum que ele não tenha tempo para responder às 45 questões de matemática, por exemplo. É aí que surge o problema da TRI, o aluno terá que “chutar” 10 a 20 questões, geralmente as últimas da prova, e assim os erros das questões fáceis chutadas baixarão em muito o seu argumento.

ENEM é isso, tem novidades e quem não se adaptar terá dificuldades.

Por fim, a minha dica principal é ter disciplina, estudar diariamente em casa (não adianta apenas assistir a aulas, tem que dominar o básico da matéria e isso é feito em casa), e fazer muitos e muitos simulados – não só de matemática durante o ano.
Usufrua do lado positivo do ENEM!

Professor Miranda Junior
Palestrante e especialista em ENEM
Prof. instrutor de Inglês instrumenta

ENEM e concursos
emiranda@hotmail.com

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