domingo, 1 de fevereiro de 2015

Japão chora a morte de Goto, um repórter preocupado em dar voz aos mais vulneráveis




As histórias das pessoas mais vulneráveis, das crianças e dos pobres eram as que impulsionavam o jornalista Kenji Goto, que teve sua vida tirada brutalmente pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI).

A notícia de seu assassinato em um vídeo feito por jihadistas mergulhou o Japão em um estado de choque e luto no domingo, dias depois de sua situação como refém na Síria ter unido muitas pessoas para orar por sua libertação.

Kenji morreu, e meu coração está partido. Eu estou sem palavras. A minha única esperança é a que possamos continuar com a missão de Kenji para salvar as crianças da guerra e da pobreza — disse a mãe do jornalista, Junko Ishido.

Goto, com um sorriso descontraído e amigável, era um jornalista freelancer veterano, que costumava trabalhar com câmeras e produtores japoneses de televisão. Sua opinião era muitas vezes emitida nos principais meios de comunicação japoneses.

— Eu quero me aproximar das pessoas. É a melhor maneira de expressar o meu foco — disse Goto, de 47 anos, sobre seu trabalho. — Aproximando-me posso falar com as pessoas. Posso escutar as suas opiniões, sua dor e esperança.

Em 2005, ele escreveu um livro sobre a situação das crianças em Serra Leoa intitulado “Queremos a paz, não diamantes”. Goto, no entanto, sempre insistia que não era um repórter de guerra, mas, em vez disso, dedicava-se a contar as histórias de pessoas comuns, a poucos passos da zona de conflito.

Isso o levou a campos de refugiados e orfanatos. Deu voz às histórias de crianças que sofriam violência, fome e pesadelos.


Várias pessoas se mobilizaram para pressionar pela libertação do jornalista. Uma página do Facebook foi criada logo após a milícia extremista publicar seu primeiro vídeo no mês passado ameaçando Goto de morte.

Rapidamente, dezenas de pessoas passaram a seguir a página e a publicar fotos segurando cartazes “Eu sou Kenji”, em referência ao lema “Eu sou Charlie” criado em solidariedade às vítimas do atentado ao jornal satírico francês.



O Globo

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