terça-feira, 19 de maio de 2015

Paraciclista é assaltado e ladrões levam até sua cadeira de rodas


Foto: O paraciclista Eduardo Camara
Antonio Scorza / Agência O Globo
Quis a história da violência urbana que a vida do analista de sistemas Carlos Eduardo Camara, de 39 anos, fosse marcada por dois momentos trágicos: no fim de 1998, ele foi baleado na coluna durante um assalto no Guarujá, litoral paulista, e ficou paraplégico. Quase 16 anos depois, já adaptado à nova condição e disposto a superar obstáculos, o agora paraciclista Eduardo Camara, campeão brasileiro da modalidade em 2012, foi vítima de mais um assalto, desta vez na Avenida Brasil, em Bonsucesso, no Rio. Por volta das 16h de domingo, três bandidos armados com pistolas o tiraram à força de seu carro e o jogaram no chão do estacionamento de uma lanchonete, próximo à Linha Amarela, levando, além do veículo, sua cadeira de rodas, sua handbike (bicicleta adaptada para atletas com deficiência) e o troféu de terceiro lugar que acabara de conquistar na Copa Rio, etapa carioca do campeonato brasileiro que aconteceu em Japeri, na Baixada Fluminense.

- Por ironia do destino estou aqui, mais uma vez, vítima da violência. Fiquei paraplégico, vivi seis anos da vida me reabilitando. Jamais imaginaria que iria novamente passar por isso. Estava voltando de uma competição e, com fome, parei para fazer um lanche. Os bandidos ignoraram o fato de eu não poder andar, disseram apenas “sai, sai logo”. Eles me puxaram do carro e me jogaram no chão. Sofri arranhões nos tornozelos, um cliente da lanchonete foi quem me socorreu. Ele viu tudo e correu até mim, me pegou no colo, me pôs no carro dele e me levou até a delegacia. Gostaria muito de agradecê-lo – contou Eduardo Camara.

ATLETA FAZ APELO PARA DEVOLVEREM HANDBIKE

Desta vez, o paraciclista, que retomou o esporte em 2009, fez um apelo aos ladrões. Ele pediu a quem estiver com sua bicicleta que a devolva, já que ela só tem utilidade para ele.

- É uma bicicleta de muita importância para mim e de nenhuma importância para qualquer outra pessoa, já que ela é toda adaptada para o meu tipo físico. Não tem serventia para ninguém, e eu preciso muito dela. Estou em treinamento de alta performance para a próxima etapa do circuito, que vai acontecer no dia 12 de julho, no município de Penha, em Santa Catarina. Peço a quem estiver com a bicicleta que a devolva, que a deixe em alguma associação de moradores ou que ligue para o Disque-Denúncia dando a sua localização – implorou.

A bicicleta roubada é um modelo Top End Force RX, avaliada em mais de R$ 10 mil.

- É uma bicicleta adaptada, feita para cadeirantes. Nenhuma outra pessoa pode usar. Ela é bem estreita, é para o meu tamanho. Foi feita na medida certa para a minha altura, meu peso. Ela não oferece conforto, é uma bicicleta de competição. Estava tudo planejado, tenho uma planilha de treinos. Era para o pico ser no fim de semana do campeonato brasileiro. Tendo uma boa perfomance lá e tentaria a classificação para o parapan americano. Objetivo no curto prazo é voltar aos treinos e conseguir uma boa colocação no campeonato brasileiro para abrir chances de convocações para outras competições internacionais, como os Jogos Parapanamericanos e Olimpíadas – disse.

O carro roubado foi um Golf GTE vermelho, ano 2013, placa LMA-3542. Nas redes sociais, Eduardo Camara relatou a história e também pediu ajuda para localizar o equipamento.

“Amigos, fui assaltado hoje enquanto voltava de uma competição de bike. O carro é adaptado para cadeirantes e foi junto com minha cadeira de rodas e minha handbike de competição. (…) Os bandidos levaram até minha cadeira de rodas, algo que eu achava que nunca ia acontecer. Levarem minha cadeira de rodas é algo muito baixo, e realmente me limita muito, mas pelo menos estou inteiro”, contou.

Em seguida, Camara relatou os demais pertences roubados: rodas de carbono Corima 650c; roda traseira de carbono 650c com cubo powertap G3; roda traseira de alumínio 650c com cubo powertap SL; cadeira de rodas TiLite preta; capacete Giro Atmos branco tamanho M; e um computador Garmin 810, além de uma cinta cardíaca.

Em nota, a Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento na 21ª DP (Bonsucesso), e que agentes estão em busca de testemunhas e imagens de câmeras de segurança que levem à autoria do crime.

O Globo

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