sábado, 13 de junho de 2015

Empresário que espancou cadelas da ex-noiva é acusado de agredi-la em festa no Jockey



Menos de três meses depois de ser flagrado num vídeo espancando as duas cadelas da produtora Ninna Mandin, que era sua noiva, o empresário Rafael Hermida Fonseca agora é acusado de agredi-la com tapas, socos e pontapés. De acordo com um registro de lesão corporal feito na 15ª DP (Gávea), Rafael a abordou violentamente durante uma festa no Jockey Club, na madrugada desta sexta-feira.

Em depoimento na delegacia, por volta das 5h, Ninna contou que chegou a pedir a Rafael para se afastar. Ele teria usado um objeto na abordagem, mas, de acordo com o registro policial, a vítima ‘‘não sabe o que a atingiu, devido à violência e à contundência do ato’’. A produtora teve o supercílio esquerdo cortado e foi atendida no posto médico da boate, onde levou três pontos.

Na 15ª DP, ela disse desconhecer o motivo da agressão. Ainda segundo o boletim de ocorrência, Ninna ‘‘perdeu a consciência no momento do fato”. Ao GLOBO, ela afirmou estar sem condições psicológicas de falar sobre o assunto. Ao fim de seu depoimento, a produtora pediu medidas protetivas contra o ex-noivo.

Uma amiga de Ninna também prestou depoimento e contou a policiais que estava a seis metros dela quando percebeu ‘‘uma confusão’’. A testemunha afirmou ter escutado de Rafael a seguinte frase: “Avisa a ela (Ninna) que vai ter revanche”. O acusado ainda não foi ouvido na delegacia.

O advogado do empresário, Vicente Donnici, garantiu que seu cliente e a ex-noiva se cruzaram por acaso na festa e que Rafael estava “ficando com outra pessoa”. “Com ciúmes e embriagada”, afirmou, a produtora teria partido para a agressão.

— Ela foi para cima dele e, para interromper essa violência, ele a empurrou. Como estava muito bêbada, Carolina caiu e abriu o supercílio — eafirmou Donicci.


Contra Rafael Hermida já há uma queixa de lesão corporal na mesma boate, registrada no início de abril. Ele ainda é réu em um processo de maus-tratos contra animais. O empresário faltou às duas audiências marcadas para o caso de agressão às cachorrinhas Gucci e Victoria, da raça buldogue francês. O Ministério Público estadual irá propor que Rafael Hermida faça serviços de limpeza, por dois anos, na Seção de Operações com Cães da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil.

Segundo o MP, a ideia é que ele também cumpra tarefas como a higienização dos canis e a manutenção das dependências, entre outras atividades determinadas pela Core. Pela proposta, Rafael ficaria proibido de manter contato com os cães da unidade. Se for aceita pela Justiça, a prestação de serviços à comunidade deverá ser comprovada mensalmente ao 9º Juizado Especial Criminal.

FLAGRANTE FOI REGISTRADO POR CÂMERA ESCONDIDA

A agressão às cadelas foi divulgada em fevereiro, pela própria produtora, por meio de um vídeo publicado em uma rede social. Nas imagens, registradas por uma câmera escondida, o empresário aparece batendo nos animais. O agressor admitiu em depoimento à polícia ter maltratado as cadelas outras duas vezes antes da gravação do vídeo, o que, segundo o Ministério Público, agrava sua conduta e exige aplicação de pena de forma rápida e eficiente.

Rafael Hermida postou na internet uma mensagem de arrependimento dias após a divulgação das imagens. Ele diz que é dono de sete cachorros, um deles encontrado na rua. “Assumo qualquer erro que tenha cometido e estou profundamente chateado e arrependido”, escreveu o empresário.

OAB-RJ SUGERE CURSO

O Ministério Público estadual informou que, caso Rafael não aceite a proposta de aplicação de pena imediata, será denunciado e responderá a processo pelo crime de maus-tratos a animais, que prevê pena de três meses a um ano de detenção, além de aplicação de multa. A OAB-RJ também pediu que o acusado seja obrigado a frequentar o curso inédito de Ética e Respeito aos Animais, a ser ministrado na sede da entidade com uma metodologia que inclui palestras, vídeos e visitas supervisionadas em abrigos públicos.

Ninna Mandim entrou com uma ação na Justiça contra Rafael requerendo indenização por danos morais e materiais. Além do pagamento das despesas médicas com as cadelas, ela quer de volta o dinheiro gasto com os preparativos para o casamento, que estava marcado para este mês.

— Fui eu que paguei por tudo e não acho justo ficar nesse prejuízo sozinha, pois foi ele que cometeu o crime. Como cancelei tudo com quatro meses de antecedência, meu prejuízo ficou por volta de R$ 50 mil — relatou Ninna.


O Globo

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