quarta-feira, 22 de julho de 2015

Pesquisa do Centro de Biociências da UFRN com microalga representa alternativa de energia para o país


Quando se fala na produção de biocombustíveis é comum a associação com vegetais oleaginosos, como a mamona e o girassol. No entanto, Graco Aurélio Câmara de Melo Viana, professor e diretor do Centro de Biociências (CB) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), tem desenvolvido projeto em parceria com a Petrobras, mostrando que a microalga atinge alta produtividade como matéria-prima para biocombustíveis e representa uma alternativa na geração de energia limpa para o Brasil, principalmente para o Rio Grande do Norte.

Intitulada “Cultivo de microalgas para produção de biodiesel”, a iniciativa é inédita no nordeste brasileiro e desenvolve a produção vegetal em larga escala na estrutura do Centro Tecnológico de Aquicultura (CTA) – na Fazenda Samisa – município de Extremoz, na Região Metropolitana da Grande Natal, no Rio Grande do Norte. “A alta produtividade é uma das principais características da microalga, que, além disso, utiliza em seu cultivo áreas marginalizadas para produção de biocombustíveis”, afirma o coordenador do projeto. Ele ressalta, ainda, que essa iniciativa de ponta insere o estado no contexto nacional na área de Aquicultura e biocombustíveis.

Em relação à produção de óleos em laboratórios, a microalga oferece um rendimento pelo menos 15 vezes maior do que a palma, oleaginosa mais produtiva atualmente. Com isso, a extração do biodiesel a partir desse procedimento se apresenta como uma alternativa vantajosa. Além disso, a área ocupada no seu cultivo é 100 vezes inferior a das culturas tradicionais. Em média, são utilizados apenas 2.500 hectares para abastecer uma refinaria de 250 mil toneladas, enquanto são necessários 500 mil hectares de soja e 250 mil de girassol para produzir a mesma quantidade de óleo.

CTA da UFRN
A Planta Piloto do projeto ocupa uma área com mais de 3 mil metros quadrados. Em laboratórios comuns, o trabalho é feito em garrafões de até 20 litros, mas os tanques fotobiorreatores do CTA, onde a microalga é cultivada, armazenam uma capacidade útil de 4 mil litros. Toda essa infraestrutura gera uma produção de 500 quilos de biomassa por mês, quantidade suficiente para fabricar aproximadamente 2 mil litros de biodiesel.

Biocombustíveis


Diante dos esforços globais por uma sociedade sustentável, a busca por combustíveis menos degradantes para a atmosfera é uma questão urgente. Nos grandes centros urbanos, principalmente, o carvão mineral e os derivados do petróleo (gasolina e diesel) são fontes importantes de poluição.

Em Curitiba, testes feitos em ônibus do transporte coletivo movidos totalmente a biodiesel mostram que houve redução de 30% no índice médio de monóxido de carbono e queda de 25% de fumaça expelida no ar.

Indagado sobre a possibilidade de, no futuro, a utilização dos biocombustíveis ser maior do que o consumo dos combustíveis fósseis, Graco Aurélio responde que “com as crescentes questões de conflitos entre nações e outras problemáticas que envolvem o petróleo, os biocombustíveis se apresentam como um clamor da sociedade mundial por um modo de vida sustentável”.

Com informações da UFRN

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