sábado, 19 de setembro de 2015

Febre nos EUA, crédito a juros de ‘pai pra filho’ ganha consumidor brasileiro


Juros mais justos no cartão de crédito e nos empréstimos pessoais já são possíveis no Brasil, mas será preciso olhar além do universo de bancos e financeiras, que batem recordes nos lucros anualmente. A nova fonte de crédito pode estar na internet, com dispositivos focados em segurança, comodidade e praticidade.

Muito comum nos Estados Unidos e na Europa a venda de crédito online (empréstimos) pode ser encontrada em diversas modalidades: de pessoa para pessoa (peer to peer), por meio de um grupo de pequenos investidores (que buscam capital de grandes por fundos), ou por meio de um cartão de crédito com juros pela metade do encontrado no mercado e totalmente gerenciado por uma aplicativo de celular.

Em comum, essas novas formas de crédito têm alguns pontos, como os juros bem abaixo do mercado tradicional, gerenciamento totalmente online, a utilização de informações do perfil de crédito de empresas como Serasa e SPC, e ainda o desenvolvimento de ferramentas próprias de análise dos riscos. O ponto de dificuldade pode ser o nível de exigência, superior ao das empresas que fazem consignados e emprestam para quem está negativado.

“É preciso ter um perfil de crédito bom. A gente não é para todo mundo. Atraímos pessoas que não querem de jeito nenhum pagar os juros habituais e que têm vida financeira saudável”, detalha Cristina Junqueira, sócia do Nubank Mastecard Platinum, que tem visto os números de clientes crescerem, em média, 50% ao mês, neste ano. A operação do cartão cujo o nome vem de “Nu de pelado, transparente, tirando a complexidade e os custos”, diz Cristina, começou em abril de 2014. Outro atrativo é que não cobram a anuidade.

A taxa de juros média, em agosto, foi de 7,14% ao mês (128,78% ao ano), segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).


A startup não divulga números de clientes e cartões emitidos, mas Cristina afirma que cerca de 500 mil pessoas no País já pediram o Nubank. “Dentro desse número temos gente em lista de espera, aprovados e não aprovados. Fizemos uma capitalização com um fundo neste ano e nosso crescimento é sustentado, com base na análise que fazemos. Quando um cliente indica alguém pode ser mais fácil conseguir [a aprovação], mas não é só por indicação que aceitamos”, explica.

Para obter o cartão, que não cobra anuidade, o consumidor tem de ir ao portal da empresa e preencher o pedido. As únicas exigências são possuir um smartphone (para rodar o app) e ser maior de 18 anos. A resposta leva dois dias úteis para ser enviada ao consumidor. Segundo a empresa, cerca de 80% dos nossos clientes têm menos de 35 anos, gostam de tecnologia e querem transparência nas transações. Os limites de crédito (dentro do que permite o perfil de cada um), datas de pagamento, gastos e boletos são totalmente gerenciados pelo smartphone.

A plataforma de empréstimos online Geru também tem visto seu número de clientes crescer em um ano de crédito escasso e juros em trajetória de alta. “Nossa premissa é de fazer um crédito de juros baixos, prazo longo, para quem tem um bom perfil de crédito. É um momento interessante, com as restrições crescendo nas formas convencionais e a procura pelo nosso serviço aumentando muito também”, conta Sandro Reiss, sócio-fundador da Geru.


Assim como no Nubank, os juros cobrados pelo empréstimo de cada cliente dependem do risco do perfil. “Sem medo de errar estamos oferecendo as menores taxas do mercado e isso tem nos dado uma demanda grande de pessoas físicas que pegam o crédito para empreender, para abrir um negócio. O acesso ao crédito às pequenas empresas no Brasil é muito restrito e as exigências de formalidades nos bancos de varejo são restritivas e burocráticas. Por isso, temos uma parcela relevante desse público.”



IG

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