domingo, 6 de setembro de 2015

No pior cenário, Cantareira ficará no volume morto até fim do verão de 2016


Projeção é do Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais.

Mesmo se chover acima da média, reserva será necessária até novembro.



Queda no nível de água obrigou marina a fazer obras para acesso de barcos 
(Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

O Sistema Cantareira dependerá do volume morto pelo menos até o começo do período chuvoso, mesmo no cenário mais otimista em relação à previsão de chuva no estado de São Paulo nos próximos meses. Na pior situação, com registro de chuva 50% abaixo da média, a reserva técnica será usada, no mínimo, até o fim do verão de 2016. A projeção é do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).


O reservatório, que já foi o maior de São Paulo e chegou a atender 9 milhões de pessoas na Grande São Paulo, foi um dos mais afetados pela crise hídrica e atualmente opera com 15,2%, considerando duas cotas do volume morto. Desde maio do ano passado, bombas instaladas nas represas fazem a captação de reservas técnicas.

Em 24 de fevereiro desse ano, a segunda cota - com 105 bilhões de litros - foi recuperada, mas a Sabesp ainda depende da primeira cota do volume morto - 182,5 bilhões de litros - para garantir o abastecimento de 5,3 milhões de pessoas atendidos pelo Cantareira na Região Metropolitana de São Paulo.

A situação pode se agravar se os próximos meses continuarem com índices pluviométricos abaixo da média. Segundo o Cemaden, de outubro de 2014 a março deste ano (ciclo hidrológico), o volume de chuva registrado foi 73,5% ao esperado. Já a precipitação acumulada de abril a agosto de 2015 foi 79,2% da média. Só em agosto, a chuva atingiu 86% do esperado.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais acompanha a situação do manancial desde com começo da crise hídrica em São Paulo, com 30 medidores de chuva (pluviômetros) instalados nas represas do Cantareira.

Diferentes cenários
No boletim mais recente divulgado pelo Cemaden, os pesquisadores traçam cinco cenários para o sistema até 31 de março de 2016, fim do período hidrológico, ou seja, o período com mais chuva no estado de São Paulo. O centro de monitoramento tem 30 medidores de chuva (pluviômetros) instalados nas represas do Cantareira.

No pior cenário, com chuva 50% abaixo do esperado para o período, o sistema vai depender do volume morto pelo menos até março do próximo ano. Se a chuva ficar 25% abaixo da média, o sistema só sairá da reserva técnica no fim de fevereiro.

Já com índice pluviomético dentro do esperado, o reservatório vai precisar do volume morto até dezembro. Já no melhor cenário - chuva 50% acima da média - o nível do reservatório chegaria a quase metade da capacidade no fim de março e deixará a reserva técnica no fim de novembro.

Alternativas para o Cantareira
Mesmo com a captação das duas cotas do volume morto do Cantareira, a Sabesp precisou fazer interligações e remanejamento na rede de distribuição para reduzir a sobrecarga no manacial, que foi o mais afetado pela crise hídrica desde o ano passado. Por isso, os sistemas Alto Tietê, na Grande São Paulo, e o Guarapiranga, na capital paulista, absorveram parte dos clientes do Cantareira.

O governo paulista e a Sabesp também prometem entregar, até o fim de setembro, a obra de interligação dos sistemas Rio Grande e Alto Tietê que produzirá 4 metros cúbicos de água por segundo (m³/s) de água. Um m³ corresponde 1 mil litros. Em agosto, no entanto, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) confirmou que a Bacia do Alto Tietê está em situação crítica.

O Ministério Público (MP) classificou como "tardia" e "incompleta" a portaria do DAEE e afirmou ainda que a medida abre precedentes para a implantação oficial de um rodízio na Grande São Paulo, já que é obrigatório formalizar a gravidade da crise antes de tomar medidas emergenciais, como cortes periódicos no fornecimento de água.

Já a Secretaria do Estado de Saneamento e Recursos Hídricos negou que a medida tenha como objetivo reconhecer o risco de rodízio ou desabastecimento, e sim o de evitá-lo. A portaria, de acordo com a pasta, serve como "instrumento para minorar riscos ao abastecimento” no Alto Tietê e para assegurar a "execução de obras emergenciais que estão em curso diante da maior seca dos últimos 85 anos".


Isabela Leite Do G1 São Paulo

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu Comentário será exibido em Breve