terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Macri manda retirar quadro com Lula do Palácio do Governo; Hugo Chávez e Kirchner também



‘Símbolos de outra época’. Decisão do novo governo argentino de tirar quadros de Kirchner (esq.) e Chávez da Casa Rosada recebeu críticas – Janaína Figueiredo

No rastro da limpeza que está fazendo no Estado argentino, afastando centenas de servidores e provocando uma enxurrada de críticas por parte do kirchnerismo, ontem, o governo do presidente Mauricio Macri tomou uma decisão que aprofundou, ainda mais, o clima de irritação entre seguidores de sua antecessora, Cristina Kirchner. Por decisão da Secretaria-Geral da Presidência, foram retirados da Casa Rosada os retratos dos ex-presidentes argentino Néstor Kirchner (2003-2007) e venezuelano Hugo Chávez, ambos já falecidos.

A notícia teve ampla repercussão nas redes sociais, onde o governo Macri colheu muitos elogios e, também, vários questionamentos de argentinos e venezuelanos. “A decisão de @mauriciomacri de tirar os quadros de Kirchner e Chávez é antilatino-americana”, escreveu o internauta Luis Carlos Pinzón, no Twitter. Segundo informou o jornalista Santiago Fioritti, do “Clarín”, o governo Macri também mandou retirar uma caricatura de Kirchner sozinho e outra do ex-presidente abraçado a seu colega e amigo Luiz Inácio Lula da Silva.

Nas últimas semanas, os comentários sobre o futuro dos retratos circularam intensamente nos corredores do palácio presidencial argentino. Sabia-se que os quadros de Kirchner e Chávez não permaneceriam por muito mais tempo em uma das sacadas internas da Casa Rosada, da qual Cristina costumava discursar.

— Não fazia sentido manter esses quadros. Não temos retratos de ex-presidentes recentes como Carlos Menem e Eduardo Duhalde, então, por que de Kirchner? — perguntou uma fonte do governo Macri, que pediu para não ser identificada.

Cristina retirou chefes do golpe militar

Os retratos foram levados para o Museu do Bicentenário, localizado ao lado da Casa Rosada.

— São símbolos de outra época — assegurou a fonte.

Ainda permanecem no palácio presidencial argentino quadros do ex-presidente Juan Domingo Perón e de outros líderes históricos do país e da região. A ideia do governo Macri é fazer uma ampla reforma na Casa Rosada, assim como, também, na residência oficial de Olivos, para onde a família presidencial pretende se mudar entre fevereiro e março.

No lugar onde estavam os retratos de Kirchner e Chávez não devem ser colocados novos quadros, segundo comentaram funcionários do palácio. Ontem, muitos argentinos se lembraram do dia em que Kirchner mandou retirar os quadros dos chefes que comandaram o golpe de Estado de 24 de março de 1976, que estavam pendurados num salão do Colégio Militar.

Os retratos de Kirchner e Chávez foram inaugurados por Cristina em seu segundo mandato.

— Me sinto muito emocionada e muito afortunada porque estive junto a dois grandes homens que representam um antes e um depois na História da região — disse a ex-presidente, na época.

O Globo

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