quinta-feira, 28 de abril de 2016

MP denuncia homem por incêndio e 90 tentativas de homicídio no RS


Ele ainda foi denunciado por tentativa de feminicídio triplamente qualificada.
Crimes ocorreram no final de janeiro em São Leopoldo, no Vale do Sinos.


Chamas se alastraram por imóveis de prédio
(Foto: Divulgação/MP)
A promotoria de Justiça Criminal de São Leopoldo, no Vale do Sinos, denunciou nesta quinta-feira (28) Alexandre Viana de Souza pela tentativa de feminicídio triplamente qualificada contra a sua ex-companheira, Márcia Franciele Castilho Reis Schmidt.

A tentativa de assassinato ocorreu no último dia 31 de janeiro na cidade gaúcha. Souza foi preso em 12 de abril em Tramandaí, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul.

De acordo com o chefe de investigações da Delegacia de Homicídios de São Leopoldo Odilei Betanin, responsável pelo inquérito policial, o casal tinha um relacionamento instável.

Franciele queria o fim do relacionamento, o que Alexandre não aceitava. “Ele dizia que se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém”, relata o inspetor.
A tentativa de feminicídio foi tipificada como triplamente qualificada devido ao agressor agir por motivo torpe (ciúme), com recurso que dificultou a defesa da vítima e de ter praticado crime contra mulher.

Além da agressão à ex-namorada, o homem de 30 anos é acusado por 90 tentativas de homicídio duplamente qualificado e por dolo eventual, já que ateou fogo no apartamento de Franciele após feri-la diversas vezes com um canivete ao sair de uma casa noturna em Novo Hamburgo, também no Vale do Sinos.

Alexandre foi preso no Litoral Norte após fugir
(Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Antes de atear fogo no apartamento, o acusado ainda furtou dinheiro em espécie, relógios, joias, roupas, sapatos, televisão, bebidas importadas, documentos, cartões de crédito e um celular do imóvel da ex-companheira. Ele está preso preventivamente na Penitenciária Estadual do Jacuí.

A denúncia, assinada pelo promotor de Justiça Sérgio Luiz Rodrigues, afirma que Alexandre "ateou dolosamente o fogo em um dos apartamentos e sabia que o bloco era habitado por mais de 100 moradores, que o fogo provocado no local tinha grande potencialidade de propagação para outros apartamentos como consequência natural da cadeia causal e estava consciente de que não era capaz de controlar a situação de perigo criada aos moradores.”

“Portanto, assumiu o risco de matar as vítimas, consentindo, admitindo e comportando-se indiferente e com desprezo em relação às possíveis mortes. Além disso, foi denunciado por crueldade a animal, já que o incêndio provocou a morte de um gato de 4 anos, que era de estimação de um dos moradores”, conclui o promotor Rodrigues.

Crimes, fuga e prisão
Na madrugada do dia 31 de janeiro, um domingo, Alexandre e Franciele estavam em uma casa noturna em Novo Hamburgo, município vizinho de São Leopoldo. Lá, houve um desentendimento entre os dois. Francielle, então, foi com o filho e amigos para um posto de combustíveis em Novo Hamburgo, enquanto Alexandre se dirigiu para o apartamento do casal, em São Leopoldo.


90 pessoas estavam no prédio no momento do
incêndio (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

No prédio, Alexandre foi flagrado pelas câmeras de monitoramento subindo e descendo diversas vezes do apartamento, carregando objetos. Ao sair do estacionamento, ele foi visto dentro do carro aguardando a fumaça surgir na janela, já por volta das 6h. Segundo o inspetor Betanin, ao perceber o êxito do incêndio, ele deixou o local e ligou para a namorada.

Na sequência, ele a encontrou no posto de combustíveis em Novo Hamburgo e pediu para voltarem juntos para São Leopoldo, o que ela não aceitou fazer sozinha. O filho dela, então, retornou com o casal, que recomeçou a discussão dentro do veículo. “O filho, percebendo a maldade já, pede para ele deixar eles descerem do carro, o que Alexandre não permite”, conta Betanin.

No caminho, Alexandre parou em um sinal vermelho, e o filho de Franciele conseguiu descer do carro e abrir a porta da mãe, que estava na carona. Neste momento, segundo a investigação policial, Alexandre sacou um canivete e desferiu vários golpes no rosto, pescoço e ombro da companheira. Mesmo ferida, ela conseguiu se desvencilhar dele e chegar ao hospital após abordar uma viatura da Guarda Municipal de São Leopoldo.

Após Franciele desembarcar de seu carro, Alexandre fugiu para Santa Catarina. Dois dias depois, a vítima prestou depoimento após receber alta no hospital e a prisão preventiva contra o agressor foi expedida pela Justiça. Apenas no pescoço, Francielle precisou levar 30 pontos.


Alexandre tatuou o nome de Franciele no braço; ela possuía homenagem semelhante, mas já apagou
(Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Após deixar Santa Catarina, o foragido se escondeu em hotéis em Imbé, no Litoral Norte, ao lado do município de Tramandaí, onde acabou preso no dia 12 de abril. Nesta data, ele prestou depoimento na delegacia em São Leopoldo, onde se reservou ao direito de permanecer calado. Alexandre deve se manifestar apenas em juízo.

O casal Alexandre e Franciele tinha o nome um do outro tatuado em um dos braços. De cordo com o inspertor Betanin, ela já apagou a homenagem ao ex-namorado, enquanto ele segue ostentando o nome dela na pele.

Ainda de acordo com a polícia, uma ex-namorada de Alexandre, moradora de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, já havia registrado ocorrência após ele não aceitar o fim do relacionamento, derrubá-la da moto em movimento e, depois, tentar atropelá-la.

G1 RS

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