sábado, 16 de julho de 2016

A França, símbolo da laicidade, alvo preferido para atentados


Em 18 meses, a França sofreu três ataques mortais reivindicados por grupos extremistas e que fizeram 230 mortos e centenas de feridos. Símbolo da laicidade, comprometido na luta contra os extremistas, o país é um alvo preferencial.

Esses atentados, cujo caráter espetacular ou inédito marcaram os espíritos, como o mais recente ataque com um caminhão em Nice, também foram acompanhados de várias tentativas frustradas.

No Sahel ou no Oriente Médio, a França está na linha de frente na luta contra grupos extremistas. É o segundo maior contribuinte para as operações aéreas da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos contra o grupo Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria.

Seus caças-bombardeiros na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos bombardeiam regularmente os centros de comando, fábricas de explosivos e depósitos de armas do EI.

Na véspera do ataque de Nice, o presidente François Hollande anunciou o envio ao Oriente Médio do porta-aviões Charles de Gaulle, símbolo do poder militar francês.

A França declarou “guerra” desde os ataques de novembro de 2015 em Paris (130 mortos), planejados, segundo as autoridades, no coração da máquina político-militar do EI no Iraque e na Síria.

Como em novembro, François Hollande prometeu na sexta-feira aumentar a pressão sobre o inimigo. “Vamos continuar a atacar aqueles que nos atacam em nosso próprio solo, vamos caçá-los em suas tocas”, frisou.

No Sahel, a França está na linha de frente com a operação Barkhane (3.000 homens) contra os grupos extremistas que continuam a realizar atentados de Uagadugu aos Grandes Lagos, e contra as forças de paz.

Para o historiador de religiões Odon Vallet, a laicidade “à la francesa”, que levou à proibição do véu islâmico nas escolas francesas em 2004 e nas ruas em 2010, também pode ser um poderoso veículo de motivação.

“Para eles, a laicidade à la francesa é incompatível com o Islã”, diz ele.

A visão francesa da liberdade de expressão, que permite uma crítica mais ampla da religião, também colocou o país no visor dos extremistas. Os ataques contra a redação da revista satírica Charlie Hebdo em janeiro de 2015 foram realizados em resposta à publicação de caricaturas do profeta Maomé.

Cinco milhões de muçulmanos vivem na França, país que abriga as maiores comunidades muçulmana e judaica na Europa. Esta última foi especialmente visada por ataques. O risco de tensão ou conflito é mais aparente na França do que em outros países europeus.

Apesar dos esforços para a sua integração em um país predominantemente católico, os muçulmanos estão sujeitos a muitas formas de discriminação, especialmente no momento de procurar emprego, minando a sua integração.



Terra


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