sexta-feira, 1 de julho de 2016

Provas da PGR apontam pagamento de propina a senadores por lobista, diz Teori




Policiais federais deixam a residência de Milton Lyra em Brasília como parte da operação Sépsis – ANDRE COELHO / Agência O Globo

Provas reunidas pela Procuradoria Geral da República (PGR) apontam para pagamento de propina a senadores pelo lobista Milton de Oliveira Lyra Filho, alvo de mandados de busca e apreensão na “Operação Sépsis“, deflagrada nesta sexta-feira pela Polícia Federal (PF) com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Teori Zavascki, que autorizou as buscas, escreveu no despacho que “os elementos fáticos descritos dão conta, ao menos em tese, de vários repasses de propina que seriam destinadas a integrantes do Senado Federal, por intermédio de Milton de Oliveira Lyra Filho”. O caso mais detalhado é o do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), que planeja presidir o Senado a partir de 2017.

Milton é considerado operador do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e de outros senadores do PMDB. A base para a PGR pedir busca e apreensão em empreendimentos do lobista – que seriam de fachada – foi a delação premiada de Nelson José de Mello, ex-diretor de relações institucionais do grupo Hypermarcas. Nelson descreveu com detalhes a influência de Milton junto aos senadores e entregou contratos fictícios da Hypermarcas com empresas indicadas pelo lobista. Os contratos ultrapassaram o valor de R$ 10 milhões e, conforme o delator, parte do dinheiro se destinava a senadores. As buscas objetivam reunir mais provas a respeito desse dinheiro.

A delação de Nelson detalha a intermediação de um suposto pagamento ilícito para a campanha de Eunício a governador do Ceará em 2014, derrotado no segundo turno por Camilo Santana (PT). “Milton Lyra informou que seria procurado por um portador de Eunício Oliveira. Recebeu um sobrinho de Eunício, então candidato a governador, o qual pediu ajuda financeira na candidatura”, descreve um dos termos de colaboração de Nelson.

DELAÇÃO DE DELCÍDIO PESOU

O sobrinho se chama Ricardo, segundo o delator. O ex-diretor da Hypermarcas confirmou ter pago despesas de empresas que prestaram serviços para a campanha do peemedebista, por meio de contrato fictício no valor de R$ 3,35 milhões. Ao fim, o ex-diretor providenciou novas notas fiscais, para que o valor chegasse a R$ 5 milhões. Foram três os contratos fictícios, conforme a delação: R$ 1,5 milhão com a Confirma Comunicação, R$ 2 milhões com a Campos Centro de Estudos e R$ 1,65 milhão com a Confederal Prestadora de Serviços de Vigilância, esta última de propriedade de Eunício.

Teori levou em conta para autorizar as buscas e apreensões a delação do senador cassado Delcídio Amaral (ex-PT-MS), que classificou Milton como “pessoa que tem uma atuação muito forte com fundos de pensão e sistema financeiro e que atua também com emendas”. Delcídio apontou a proximidade do lobista com Renan.

Em comunicado ao mercado, a Hypermarcas diz que Nelson foi diretor até março deste ano e que as despesas referentes aos contratos fictícios foram autorizadas por “iniciativa própria” do delator, “sem as devidas comprovações das prestações de serviços”. “A companhia ressalta que não é alvo de nenhum procedimento investigativo e que não se beneficiou de quaisquer dos atos praticados pelo ex-executivo”, diz o comunicado.

A empresa afirma ainda ter firmado um “instrumento irrevogável e irretratável” com Nelson para que haja ressarcimento dos prejuízos. “A companhia reprova veementemente quaisquer atos que conflitem com seu Código de Conduta Ética e reitera seu compromisso com os mais elevados padrões de governança corporativa”, diz o comunicado de 28 de junho.

O Globo

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu Comentário será exibido em Breve