quarta-feira, 12 de abril de 2017

‘Netflix’ do prazer feminino dá dicas de como chegar lá





Do que as mulheres gostam no sexo a sós ou acompanhado?

Os amigos americanos, Lydia Daniller e Rob Perkins –ela lésbica e ele heterossexual– decidiram fazer perguntas que vão além de “por cima ou por baixo?, rápido ou devagar?”. Ouviram mais mulheres do que aquelas com quem transaram. E ao invés de escreverem páginas e páginas de pesquisa acadêmica, transformaram o estudo em uma espécie de Netflix do prazer feminino: o OMGYes.com (algo como “Ai meu Deus, sim!”).

O site, que agora foi lançado na versão em português, hospeda uma primeira temporada de vídeos dividida em 12 temas diferentes que abordam o que as mulheres podem fazer para intensificar o prazer.



Veja slide em texto na íntegra aqui

O estudo ouviu cerca de 2.000 americanas e foi coordenado por cientistas da Universidade de Indiana (EUA) e do Instituto Kinsey, famoso em pesquisas sobre sexo.

São relatos de mulheres, não atrizes, de diversas idades e pouquíssimos pelos.

Espere ver no site imagens de algumas delas se masturbando para demonstrar suas técnicas e contando por que elas gostam dos movimentos daquela forma.

É explícito, mas nada pornográfico. Está mais para uma aula ou uma conversa com uma amiga –embora entre as minhas amigas não rolem as demonstrações.

“Esses vídeos mostram que as mulheres podem acreditar que podem gozar, que sexo pode ser prazeroso. Algumas vão se beneficiar porque estão à vontade para experimentar”, diz Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da USP e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Nessa primeira temporada, tudo gira ao redor do clitóris –o site promete que a segunda, sem data de lançamento, deve chegar ao ponto G. Penetração ficará só para a quarta etapa. Sexo, afinal, exige preliminares.

São US$ 15 (aproximadamente R$ 50) pelo conteúdo da temporada para ver 50 vídeos curtos e 11 vídeos interativos. Cada temporada exigirá um novo pagamento.

Segundo o site, aproximadamente metade dos nossos usuários são mulheres, e a outra metade, homens –os quais podem estar interessados nos vídeos para seu próprio prazer ou para melhorar seu desempenho com as moças.

Há cerca de um ano, a atriz Emma Watson recomendou o site em uma entrevista. “É caro, mas vale.”

Pela parte dos vídeos interativos, nem tanto.

Na última semana, investi algumas horas do meu dia no serviço. Primeiro ponto: se começar, esteja pronta para ver todos os vídeos e ir até o fim, o que não é nada mau.

Os blocos de temas são, em geral, divididos em vídeos de depoimentos, de demonstração e, por fim, vídeos interativos. Há bastante texto, gráficos e, em alguns casos, ilustrações dos movimentos.

Nos vídeos interativos, aparece uma vulva que ocupa toda a tela. A ideia é, com o dedo (para quem estiver no celular) ou com o mouse (no desktop), repetir, em cada técnica, os movimentos sugeridos pela pesquisa e pelas entrevistadas.

Movimentos corretos geram respostas positivas como “bom” e “yeah”. Movimentos ruins têm como resposta “não” ou “mais devagar” dependendo do tema que estiver em estudo.

Esses áudios parecem gemidos de filmes pornô, pouco estimulantes.

Para a sexóloga Jaqueline Brendler, diretora da Associação Mundial para Saúde Sexual (WAS), os vídeos são “claros e instrutivos”, mas voltados para mulheres que já alcançam o orgasmo e querem melhorar a experiência.

“O site pode ajudar as mulheres a modificar e melhorar o seu orgasmo. A maioria das mulheres que vão aos sexólogos têm objetivos diferentes, como ter o primeiro orgasmo ou voltar a gozar”, diz.

Decepcionante mesmo foi o tópico de sinalização. As mulheres entrevistadas contam como fazem para dizer a seus parceiros se o que eles estão fazendo está bom ou ruim. Pelos relatos, parece que preferem mentir que está bom e direcioná-los para outra posição.

“Será que essa liberdade levou a mulher a realmente estar mais centrada no seu prazer ou ela ainda atrela o seu prazer a como o parceiro vai atender a sua solicitação? Enquanto ela se masturba, tem comportamento espontâneo, mas na hora da relação, tende a se preocupar em como se expressar e não ser desagradável”, diz Abdo.

Folha de São Paulo

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