quarta-feira, 5 de abril de 2017

Quatro bancos concentram 79% do crédito no Brasil, diz Banco Central



A concentração bancária no país cresceu em 2016, depois de um ligeiro recuo verificado no ano anterior. Os quatro maiores bancos do país —Caixa, Banco do Brasil, Bradesco e Itaú— concentram 79% do mercado de crédito no Brasil, de acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central divulgado nesta terça (3).

Essa participação havia recuado de 76,1% em 2014 para 75,8% em 2015.

Esses grandes bancos também responderam no ano passado por 79% dos depósitos bancários e por 73% dos ativos do sistema financeiro.

No ano passado, o Bradesco fez a incorporação do HSBC, que havia sido comprado no ano anterior.

O diretor de Fiscalização do BC, Anthero Meirelles, afirmou que uma melhora no ambiente econômico pode ajudar a aumentar a concorrência no setor.

“O grande estímulo para a entrada de novos concorrentes é o mercado que cresce, que se recupera. Acho que a queda do risco Brasil, o endereçamento de questões estruturais, a recuperação da confiança, a política macroeconômica, tudo isso é o melhor caminho para estimular a potencial entrada de novos concorrentes”, afirmou.

O BC informou ainda que, apesar da elevação do risco de crédito concedido a empresas, do crescimento do desemprego e da piora da situação fiscal de Estados, o sistema bancário brasileiro está preparado para lidar com um cenário de crise.

“Houve um período de recessão profunda, que, embora tenha batido no setor real, não se propagou de forma destacada no setor financeiro”, disse Anthero.

Segundo ele, os bancos estão preparados para lidar com o aumento do que chama de “ativos problemáticos” na carteira de crédito de empresas e consumidores. Esses ativos são compostos por operações inadimplentes e crédito renegociado, por exemplo, e passaram de 4% do crédito concedido a empresas em dezembro de 2014 para 8% em dezembro de 2016.

No caso da carteira de crédito dos consumidores, os “ativos problemáticos” atingiram o maior nível desde 2013, mas a tendência é de melhora nesse cenário.

Entre junho e dezembro do ano passado, o índice de Basileia do sistema financeiro, que mede a capacidade de um banco emprestar sem comprometer seu capital, subiu de 16,5% para 17,2%. O BC exige um mínimo de 11%.

O relatório diz ainda que o sistema financeiro conseguiria absorver o impacto de eventual falência das empresas envolvidas na Lava Jato.

Folha de São Paulo

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