terça-feira, 3 de outubro de 2017

Madri ameaça intervenção na Catalunha




Após a realização do referendo sobre a independência da Catalunha domingo, que pode levar o governo regional a declarar a secessão da Espanha ainda esta semana, o ministro da Justiça espanhol, Rafael Catalá, afirmou à rede TVE que fará tudo o que a lei permite para que não haja a secessão da região autônoma e ameaçou usar o Artigo 155 da Constituição, que autoriza o Executivo a adotar as “medidas necessárias” para obrigar uma comunidade autônoma a cumprir suas obrigações, como, por exemplo, dissolver o governo catalão. Ao mesmo tempo, a Europa pressiona por diálogo.

— Se alguém pretende declarar a independência de uma parte do território em relação à Espanha, como não pode, como não está dentro de suas competências, será necessário fazer tudo o que a lei permite para impedir que isso aconteça — disse o ministro.

Uma grande paralisação, agendada para a tarde de hoje, recebeu o apoio de ONGs, sindicatos, instituições culturais e deputados parlamentares, e manifestações são esperadas nas principais cidades catalãs. De acordo com números da Guarda Urbana, cerca de 16 mil universitários se concentraram na Universidade de Barcelona e realizaram uma marcha silenciosa em defesa do referendo. Paralelamente, o presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, exigiu a saída da polícia nacional e da Guarda Civil da região — mais de dez mil policiais atuaram no combate ao referendo, e outros 6 mil estão de prontidão em barcos ancorados na região.

A crise causada pela realização do referendo ultrapassou as fronteiras da Espanha. O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad al Hussein, mostrou-se preocupado com os atos de violência policial e pediu uma investigação “profunda e imparcial” sobre as ações de domingo, enquanto a diretora do Escritório para Instituições Democráticas e Direitos Humanos (ODIHR, na sigla em inglês) da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), Ingibjörg Sólrún Gísladóttir, cobrou das autoridades espanholas garantias ao respeito às liberdades de reunião pacífica e expressão. A Comissão Europeia — acusada por Puigdemont, de virar as costas para as ações do governo central na Catalunha — manteve sua posição e reafirmou que o referendo foi uma consulta ilegal, mas pediu a Madri que dialogue com os separatistas.

— Não fecharei nenhum porta. — afirmou o presidente de governo espanhol, Mariano Rajoy, em pronunciamento. — Sempre ofereci diálogo honesto e sincero, mas dentro da lei e dos limites da democracia.

Para Steven Blockmans, do Centro de Estudos Políticos Europeus em Bruxelas, a Catalunha pode se ver obrigada a recorrer a outras entidades internacionais.



O Globo